“Vidas Duplas”  

Alain é um bem sucedido editor parisiense, com dificuldade em se adaptar à revolução digital. Ele tem grandes dúvidas sobre o novo manuscrito de Léonard – um de seus autores de longa data – que lança um trabalho de autoficção, reciclando seu caso de amor com uma celebridade. Selena, a esposa de Alain, famosa atriz de teatro, é de opinião contrária e elogia a publicação

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A Pé Ele Não Vai Longe

 

Em um contexto desértico de uma charge temporizada no Velho Oeste, três xerifes encontram uma cadeira de rodas abandonada. Contrastando com a imprevisibilidade da situação, um deles sugere, aos outros dois, não se preocuparem quanto ao usuário do equipamento, concluindo que o mesmo não iria longe a pé.
 

A despeito do aspecto surreal da mensagem, sua essência rudimentar se mostra suficiente para que o cineasta Gus Van Sant conferisse à frase proferida pelo xerife, status do título do longa “A Pé Ele Não Vai Longe” – homônimo da autobiografia de John Callahan, cartunista memorável do século XX, que passou a se dedicar ao ofício e à luta contra o alcoolismo, até o fim de seus dias, após tornar-se tetraplégico em decorrência de um acidente automobilístico, durante um dia de bebedeira, de bar em bar, juntamente com parceiro de copo que dirigia o veículo.

Regendo a história de maneira incômoda e, muitas vezes, revoltante, Van Sant concede à sua obra um olhar de um homem sofredor, antes de se enxergar como um artista e, considerar a vida, a verdadeira riqueza que de que necessitava. Os cartoons, com teores datados e estereotipados de maneira tacanha por Callaham, são depressivos, autodestrutivos, profanos e temperados com pitadas de perversão, transmitindo, ao espectador, a sua auto rendição a um hábito mais destrutivo do que o alcoolismo – que, de fato, não o deixou ir tão longe a pé.

Tinta Bruta

 

A história de um jovem que assiste as suas performances eróticas com auxílio de tintas fluorescentes pela webcam, como seu único propósito de vida – um jovem com um passado recente um tanto quanto perturbador, que tem a sua vida virada de ponta-cabeça quando é expulso da faculdade e se vê na espera do julgamento pelo crime que lhe custou a sua expulsão.

Protagonista do longa “Tinta Bruta”, um jovem vive sem um destino definido, sem um projeto de vida, sem a certeza de um futuro edificante – um jovem que represa infelicidade por detrás de suas relações, que anda na corda-bamba da vida, que experimenta a solidão em toda a sua paleta de cores e que sofre da enfermidade dos sentimentos.

A direção dos gaúchos  Filipe Matzembacher e Márcio Reolon projeta uma cidade de Porto Alegre limítrofe ao antagonismo, prestes a sucumbir de mãos dadas ao protagonista e aos coadjuvantes – uma Porto Alegre repleta de insegurança e frustração atenuadas pela beleza  das cenas, pela luz negra, por neon e por música eletrônica.

O longa promove uma falta de acolhimento através de um diálogo com o espectador a partir de um tom pessimista. Não obstante, as cenas da vida íntima do protagonista assumem um seu papel coadjuvante, cedendo a relevância para a paisagem urbana local, para a pluralidade de gênero e para um Garoto Neon, possivelmente segundo uma existência latente dentro de cada jovem.

Sequestro Relâmpago”, 

Isabel é vítima de um sequestro relâmpago. Os sequestradores, inexperientes, notam que não conseguirão chegar ao caixa eletrônico antes de 22h. O que era para ser um sequestro relâmpago, tonar-se um pesadelo em que Isabel é refém em seu carro.

A Voz do Silêncio”, 

Personagens comuns de uma grande cidade levam adiante suas vidas na busca da realização de um sonho, na busca do sucesso financeiro, distantes dos afetos e de valores importantes para qualquer ser humano. Suas vidas se aproximam, avançam e se distanciam, enquanto o fluxo da vida na metrópole os conduz quase ignaros da velocidade com que suas vidas avançam.

Excelentíssimos”, 

O evento histórico responsável por intensa polarização na conjuntura do Brasil de 2018 é retratado, com enfoque visionário, no registro documental cinematográfico “Excelentíssimos”, que desenha, minuciosamente, o porquê da instabilidade política no País, responsável pela divisão da população em coxinhas e mortadelas. A ousada e imparcial direção de Douglas Duarte exerce a capacidade de transferir para o espectador/eleitor o benefício da dúvida sobre a possibilidade de tudo ter passado de uma farsa ou de um grande acordo orquestrado com vistas à derrubada da então presidente da república.


De um lado, cidadãos crédulos no fato da chefe de Estado ter cometido crime de responsabilidade, tornando-se defensores de seu afastamento do cargo; do outro lado, uma resistência que vê no movimento pró-impeachment uma tentativa de golpe cuja gênesis teria eclodido logo após os resultados das urnas de 2014, contemplando, em sua maioria, futuros investigados e réus em meio aos mais variados processos de corrupção, seja ativa ou passiva.


O documentário, no contexto da dura realidade de um momento presente, incita o medo e apreensão sobre o futuro do País – onde o fundamentalismo religioso, a falta de empatia dos políticos pró-impeachment frente à população e o desrespeito aos direitos humanos dão margem para que paire a dúvida no ar – até que a condução da política por parte do novo governo, a partir de janeiro de 2019 prove o contrário – se, de fato, valeu a pena.

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A história romântica de Tish e Fonny (KiKi Layne e Stephan James) – amigos de infância que se transformam em almas gémeas adultas – torna-se uma tenebrosa história quando Fonny é acusado de estupro por uma mulher e Tish se descobre grávida.

 

Baseado no romance homônimo de James Baldwin – o filme “Se a Rua Beale Falasse” impacta o espectador, emocionalmente, desde os primeiros minutos de projeção. A partir de uma linha de tempo não linear idealizada pelo diretor Barry Jenkins – o mesmo de ‘Moonlight’ – o longa revela, ao espectador, o que é velado aos olhos dos personagens, por isso mesmo, reservando, somente para quem assiste, qualquer fragmento de esperança por um final minimamente digno – como ocorre quando se assiste a noticiários que reportam pessoas condenadas a pena de prisão, quiçá de morte, mesmo quando sua inocência não tenha, em tempo, sido comprovada.  

 

Embora o longa retrate o Harlem dos anos 70, a essência de “Se a Rua Beale Falasse” confere com a atualidade mundial, onde as injustiças e o fanatismo religioso contribuem para que atrocidades, de todas as ordens, não tenham fim.  

A Sombra do Pai”, 

Protagonizado por Julio Machado e Nina Medeiros, “A Sombra do Pai” conta a história de Dalva – uma menina de nove anos, às voltas com o silêncio do pai – o pedreiro Jorge, que fica mais triste após perder o melhor amigo em um acidente.

 

A irmã de Jorge – Cristina (Luciana Paes) –  administrava a vida de pai e filha durante os últimos três anos, desde a morte da mãe da menina. Quando Cristina deixa a casa do irmão para se casar, Jorge e Dalva precisam enfrentar a distância que os separa.  

Ao completar 20 anos de existência, o Festival do Rio reafirma sua importância para a cultura carioca e o cinema no Brasil e na América Latina. Ao longo dessa jornada, o Festival do Rio tem sido responsável por trazer as primeiras exibições de filmes consagrados em grandes festivais internacionais e por apresentar ao público diretores estreantes e cinematografias pouco conhecidas. 

UM AMOR INESPERADO”, de Juan Vera, estreia nesta quinta-feira, dia 14 de março, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte, Vitória, Goiânia, Salvador, Recife, Fortaleza, São Luis, Natal, Porto Alegre, Niterói, Campinas, Santos, Juiz de Fora e Ribeirão Preto, com distribuição da Alpha Filmes em parceria com a Pandora. 

 

O longa traz Ricardo Darín e Mercedes Morán como Marcos e Ana, um casal que, após 25 anos lado a lado, começa a questionar o matrimônio. Com a saída de seu único filho de casa, eles precisam lidar com uma série de situações que vêm à tona quando estão a sós e passam a se perguntar se ainda estão apaixonados ou se apenas acostumaram-se a continuar juntos. 


Diante dessa crise existencial, decidem se separar em comum acordo. A vida de solteiros, no início intensa e fascinante, logo traz mais dúvidas. Marcos e Ana passam a questionar o amor, a fidelidade, a natureza dos desejos e tomarão uma decisão que mudará suas vidas para sempre. 

Chacrinha: O Velho Guerreiro”, 

Estruturado a partir de um roteiro meteórico assinado por Claudio Paiva, Julia Spadaccini e Carla Faour, o longa “Chacrinha: O Velho Guerreiro” entra para o hall das cinebiografias com foco no maior fenômeno da comunicação brasileira.

 

Sem mais delongas, os registros da escalada de Abelardo Barbosa rumo ao sucesso ganham evidência em detrimento de um olhar mais aprofundado nas passagens de sua vida pessoal, deixando no ar, uma série de pontos carentes de esclarecimento. Consequentemente, a esmerada direção de Andrucha Waddington pode passar a equivocada impressão de que a figura do mito Chacrinha dá a vez à imagem de Abelardo Barbosa, em carne e osso – um workaholic ausente na sua vida matrimonial e paterna, mas com tempo que permite, a si próprio, manter supostos relacionamentos extraconjugais – tudo envolto com o exacerbado humor presente no palavreado, na postura e no figurino do apresentador.

 

E por falar em humor na proporção de um mar e do drama contido na produção, na escala de um grão de areia, ninguém menos que os atores Eduardo Sterblitch e Stepan Necerssian para dar continuidade à essência de Abelardo Barbosa antes e no início de carreira e após a sua consagração como “Velho Palhaço”, respectivamente, capazes de levar ao público do cinema um espetáculo que, definitivamente, não acaba quando termina.

Entre Tempos”, Uma longa e grande história de amor, mas sempre contada apenas através de memórias, mais ou menos distorcidas pelos humores, pelo tempo, pelas diferenças do ponto de vista, dos jovens protagonistas. A jornada de duas pessoas ao longo dos anos: juntos e divididos, felizes, infelizes, apaixonados um pelo outro, apaixonados pelos outros, vistos em um único fluxo de cores e emoções. Os dois se conhecem dizendo episódios extravagantes da infância. Até a festa em que se encontram, no entanto, é lembrada, e em duas versões: o mundo dele, a melancolia, a dela alegre e ainda encantada. Os anos passam. Seu olhar muda, fica mais claro. O dela amadurece, torna-se mais complexo e mais escuro. O relacionamento que parecia consolidar agora corre o risco de perder a magia. Uma crise começa.

“As Viúvas”, longa da Fox Film com Viola Davis, será o filme de abertura do Festival do Rio, que acontece entre os dias 1º e 11 de novembro. O filme, do aclamado diretor Steve McQueen, traz a história de quatro mulheres que precisam assumir uma dívida deixada por seus maridos criminosos para salvarem os próprios destinos. A abertura do festival acontece no dia 1 de novembro, no Cine Odeon – Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro.  “As Viúvas” será lançado nos cinemas de todo o Brasil no dia 29 de novembro.

Sueño Florianópolis”, 

O desconcertante fluxo errático emocional estruturado na essência de “Sueño Florianópolis” resulta em um longa regado por uma DR, em potencial, condutora de análises reveladoras sobre o cotidianos de uma família argentina, em férias no Brasil.

Lucrecia (Mercedes Morán) e Pedro (Gustavo Garzón), ambos psicanalistas, se encontram em um complicado processo de separação, dormindo em casas separadas, mas ainda em estado de compartilhamento de todos os rituais familiares de um matrimônio que gerou dois filhos. A família parte, em férias, em uma viagem de carro, de Buenos Aires – Argentina rumo a Florianópolis – Brasil, como última tentativa de salvar o casamento ou como apenas uma chance de pensar em conjunto sobre as possibilidades que possam se concretizar diante de uma separação sumária.

A empatia, naturalmente desenhada pela direção de Ana Katz, cria intuitivos momentos familiares, desarmados por diálogos flexíveis e camadas ininterruptas de agradáveis pseudos-improvisos, conferindo, ao espectador, a credibilidade desejada e, sutilmente, transmitindo o seu recado de que os momentos felizes devem ser enxergados nas pequenas coisas do dia a dia – enquanto isso, urge a luta cotidiana em busca de conquistas de maiores proporções na vida.

Operação Overlord”, 

As cenas iniciais revelam um filme de guerra que bombardeia as telas de cinema deixando nada a dever a qualquer produção realista bélica previamente concebida. Paulatinamente, como em um degrade que se intensifica com o passar da história, surgem pérolas nacaradas por ação intensa, sutil humor e terror repleto de cenas assustadoras, incrementadas por uma seleta gama de efeitos visuais, marcadas por sons ensurdecedores e impactantes capazes de abalar a tranquilidade do espectador que possui, até mesmo, nervos de aço.

 

Dessa forma, “Operação Overlord”, sob a precisa direção de Julius Avery, apresenta um argumento e costura um roteiro inusitados para o gênero terror – a despeito do estereótipo dos mortos vivos que não se prendem a hábitos noturnos, que não se limitam a vaguear, agem instintiva e conscientemente e carregam consigo, uma boa fração de sua personalidade previamente às suas mortes. 

 

Um soldado paraquedista tem como a sua primeira missão ir atrás das linhas inimigas, abrir o caminho para a Normandia e derrubar a antena de rádio instalada pelos alemães, no topo de uma antiga igreja francesa. No subsolo da torre, ele se depara com algo que vai muito além do que apenas soldados.

 

A produção de J.J. Abrams impõe as suas conhecidas reviravoltas, nem sempre surpreendentes, mas contempla um questionamento muito subjetivo – ‘o quão perverso se deve ser, de modo a vencer aqueles genuinamente desumanos’ – capaz de não gerar uma resposta direta, pelo simples pavor de se promover uma linha de raciocínio sobre o assunto.

A Rota Selvagem”, 

Assumindo corajosamente uma possível capacidade de indução do espectador ao erro diante da possibilidade de seu roteiro ser interpretado como base de uma história de um ‘menino e seu cavalo’, “A Rota Selvagem” supera, em muito, as produções carregadas de obviedades e clichês emocionalmente apelativos. A brutal, porém genuína direção de Andrew Haigh endossa tal assertiva carregando a película com o retrato de uma vida, sem atenuar suas dores com filtros ou qualquer outros subterfúgios capazes de atender à demanda do espectador por um final feliz ou, ao menos, consolador.

A crueza e a inflexibilidade pungente sobre o amadurecimento e perseverança diante das adversidades da vida de um adolescente, constrói um filme pesado porém, contemplado por uma essência cativante. Charley (Charlie Plummer) é um jovem de dezesseis anos que, levando-se em conta a sua pouca vivência temporal, é lançado a uma precoce e dura experiência de vida, lidando com abandono e uma overdose de tristeza provocados por perdas pessoais e afetivas consecutivas. Paulatinamente, o mundo se abre aos seus pés, expondo o espectador às passagens mais sombrias da vida do jovem, ao longo de uma conturbada viagem desde Portland - estado de Oregon, noroeste dos Estados Unidos – rumo ao leste, até o estado de Wyoming, durante a qual, o taciturno Charley enfrenta um mundo cheio de dificuldades e total falta de empatia.

Evitando sucumbir ao sentimentalismo sobre a relação ser humano e animal, o espectador é manipulado de modo a distanciá-lo das emoções triviais e o direciona à preservação da memória da inocência, da sutileza e da vulnerabilidade, mesmo que, angustiante, ao longo da narrativa. Privilegiado pela trilha sonora por James Edward Barker e pela direção de fotografia assinada por Magnus Nordenhof Jonck, “A Rota Selvagem” se faz crível, brutalmente sensível, passando ao largo do sentimentalismo barato, intencionalmente por parte de Haigh.

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